Por Alberto Marques – Por obra e graça do destino, coube ao Secretário de Serviços Públicos de Duque de Caxias, Tarce Filho, colocar um ponto final na luta de meio Século dos moradores dos bairros Centenário, Corte Oito, Itatiaia, Vila Leopoldina e Vila São Luiz por uma estação da antiga Estrada de Ferro Leopoldina, cuja estação de Vila Meriti, inaugurada em 1913, deu o impulso que faltava para que essa região da Baixada Fluminense se recuperasse do baque provocado pela expansão de febre amarela, que dizimou boa parte das famílias da região, abandonada pelos senhores de escravos como resultado da Lei Áurea, que aboliu a escravidão no País.
Tarce Filho é descendente da família Freitas Lima, que nos anos 50/60 se tonou dona da Viação Gramacho, mais tarde rebatizada de Santo Antonio, para fazer a ligação entre o centro da cidade e os loteamentos de Gramacho e Olavo Bilac, feitos pela empresa Cia. Imobiliária Gramacho, criada nos anos 40 do Século passado por irmãos de Getúlio Vargas para tentar repovoar boa parte de Duque de Caxias. O Jardim Gramacho foi outro projeto dessa empresa nesse sentido.
E o lobby para impedir a criação de uma estação no Corte Oito, que retiraria passageiros das empresas de ônibus, tinha a participação da família do secretário, cujo expoente político é o ex-deputado estadual, federal, senador e ex-prefeito (por duas vezes) de Duque de Caxias, Hidekel Freitas Lima.
Ligado ao Ministro dos Transportes Mario Andreazza, o ex-prefeito conseguiu impedir que, na expansão da eletrificação entre as estações da Penha e Gramacho, uma nova estação próxima ao Cemitério do Corte Oito fosse enviada para as calendas.
Os moradores da região não esmoreceram e, recentemente, conseguiram a adesão do deputado Dica (PSD), autor do projeto de criação da Estação Corte Oito, apoiado pelo secretário de Transportes do Estado, Julio Lopes, e com o aval do governador Sérgio Cabral.
Na segunda-feira (11), lá estavam, ao lado do prefeito Alexandre Cardoso, cuja esposa é uma Freitas Lima, o Secretário de Transportes do município, Tarce Filho [cuja família sempre foi contra a criação dessa estação] e o deputado Dica, que, por mais de um mandato, lutou pela concretização da Estação Corte Oito.
Agora, o deputado Dica está empenhado em construir a Estação São Bento. Para ajudá-lo, aqui vai uma “dica”: procure nos arquivos da Secretaria de Transportes do Estado o projeto da estação rodo-ferroviária de S. Bento, elaborada pelo ex-Secretário de Transportes Josef Barata no Governo Moreira Franco (1987/1990).
No momento em que o Governo fala tanto em mobilidade urbana como fruto da realização da Copa do Mundo e das Olimpíadas, nada melhor do que unir os sistemas rodoviário e ferroviário, aumentando, assim, o fluxo de passageiros nos trens da Supervia (com ar condicionado prometido pelo Secretário Julio Lopes) e reduzindo o número de linhas de ônibus que fazem o trajeto Lote XV-Caxias.
Bombardeado pelo poderoso (bota poderoso nisso!) lobby das empresas de ônibus, o projeto de Josef Barata, um dos maiores especialistas em matéria de transporte de massa no Brasil, previa a construção de uma estão de transbordo rodo-ferroviária no trecho da ferrovia que passa pelo antigo Núcleo Colonial de São Bento, onde antes havia uma pequena parada, para uso dos agricultores, muito deles vindos do Japão durante o Governo Vargas, ali instalados com o objetivo de formar um cinturão verde, que forneceria verduras, legumes e frutas para a população da Capital.
Com a nova estação, os ônibus que fazem a ligação entre Caxias, Belford Roxo e Nova Iguaçu, passando pelo Lote XV (Belford Roxo), ou Xerém e Magé, provenientes das rodovias Rio-Magé e Rio-Juiz de Fora, deixariam de trafegar até o congestionado (já na época) centro de Duque de Caxias, aliviando também o trânsito na Av. Governador Leonel Brizola, ex-Rio-Petrópolis e ex-presidente Kennedy.
Implantada a estação de transbordo em S. Bento, o atual sistema de bilhete único, de integração trem-ônibus-metrô, garantiria aos passageiros provenientes de Nova Iguaçu, Belford Roxo, Xerém, Santa Cruz da Serra e Magé a chegada até a Central, ou o embarque nos trens do metrô em São Cristóvão utilizando um só bilhete, com redução do tempo de viagem e de custo da passagem.
Como o lema do Governo do Estado é o de juntos, faremos o melhor para o Rio de Janeiro, o projeto Josef Barata, devidamente atualizado, garantiria a integração ônibus-trem-Metrô, aliviaria o pesado trânsito na Rodovia Rio-Juiz de Fora (sem os ônibus de Magé) entre a Rio Magé e a Linha Vermelha, bem como da Av. Governado Leonel Brizola, entre o Lote XV e o centro de Duque de Caxias.
A propósito: sem a integração dos ônibus provenientes de Belford Roxo, Nova Iguaçu e Magé com os trens da Supervia, Estação S. Bento não passaria de uma parada, só acessível aos moradores de Pilar, Parques Muisa e Fluminense, que cresceram a partir do Núcleo Colonial de São Bento. Essa integração também seria vantajosa para as empresas de ônibus, que manteriam o mesmo número de passageiros com menor custo, pois reduziriam o percurso das atuais linhas, bem como o desperdício nos congestionamentos.
Aliás, além dos problemas locais, Duque de Caxias está sofrendo com os congestionamentos da BR-040 e Linha Vermelha. Na segunda-feira (11), por conta do paulistano congestionamento na área portuária do Rio, tivemos congestionamentos ainda maiores na área do Parque Beira Mar, rota de fuga dos motoristas que trafegam pela BR-04. Na segunda-feira, até o acesso ao Shopping Caxias pela Rua São Vicente estava difícil por conta da quantidade de caminhões que saiam da Rio-Juiz de Fora e buscavam uma saída em direção à Linha Vermelha passando pelo centro de Duque de Caxias.
Fonte: Caxias Digital
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