Vai ficar com a avó o filho de Jéssica Oliveira de Souza, de 23 anos, encontrada morta a tiros e com sinais de estupro juntamente com a irmã Ariane Oliveira de Souza, de 18 anos, em um campo, na Av. Marcovaldi, no bairro Boa Esperança, próximo ao Gogó da Ema em Belford Roxo. Os corpos estavam abraçados. O motorista e irmão das vítimas, Diego Oliveira, disse que a criança será cuidada com muito amor.
— Minha mãe vai ficar com a guarda do meu sobrinho. Nossa família toda vai dar o melhor para a educação dele e muito amor porque é disso que ele mais precisa agora.
Ele contou que perdeu suas irmãs no dia do seu aniversário e disse que a data "não tem mais graça em ser comemorada".
O irmão das meninas acompanha de longe as investigações sobre o caso.
— A gente da família só acompanha esse caso pela imprensa, o que vemos na TV e o que sai no jornal. Sabemos que a polícia está investigando e quando podem nos passam alguma coisa.
O irmão das vítimas ressaltou que elas não tinham nenhuma ligação com o tráfico.
— Não tinham nenhum envolvimento algum, Ariane era estudante e nem faltava aula. Jessica era formada, tinha o Ensino Médio e tinha curso de informática.
Jéssica e a Ariane eram inseparáveis e um dos desejos de Diego é que o caso não seja esquecido pela imprensa.
— A ficha parece que ainda não caiu é uma perda muito grande para minha mãe e meu pai as chamava de princesas. Antes delas saírem para a Riosampa elas foram falar com ele. É um vazio grande para a família. Esperamos por justiça.
Irmãs pretendiam fazer Festa de Natal pra Mãe
As irmãs Ariane Oliveira de Souza, de 18 anos, e Jéssica Oliveira de Souza, de 23, assassinadas em um campo, na Av.Marcovaldi, no bairro Boa Esperança, próximo ao Gogó da Ema, em Belford Roxo, planejavam fazer uma festa de Natal especial para a mãe, Raquel Francisca de Oliveira. De acordo com Raquel, elas estavam decorando, aos poucos, a casa onde moravam, já pensando na festa. No quarto das irmãs, uma cortina e um tapete novos, e ainda embalados, dariam uma nova decoração à casa.
- Ano passado, elas disseram: “Mãe, a senhora faz tudo pela gente. No próximo Natal, nós vamos fazer a festa”. Elas estavam comprando as coisas aos poucos - afirmou Raquel.
Raquel guarda na lembrança os últimos momentos com as filhas. Com Jéssica, ela esteve na noite de sexta-feira (22 de agosto) , quando a jovem se arrumava para sair. Enquanto se aprontava, Jéssica aguardava Ariane retornar da escola para as duas irem juntas à Riosampa. Foi na saída da casa de shows que as irmãs foram assassinadas.
- A Jéssica pediu para eu voltar no sábado à tarde, pois ela iria sair e queria dormir até tarde. Quando cheguei, por volta de 14h, só havia o filho de Jéssica na casa. Ele estava sem se alimentar e disse que elas não tinham voltado. Ali vi que havia algo estranho, pois ela nunca iria deixar o filho sozinho - disse a mãe.
Com Ariane, o último contato foi no dia anterior, na quinta-feira (21). A jovem foi à casa da mãe e pediu para ligar para a Riosampa: - Ela queria saber quanto custava o ingresso. Elas estavam muito animadas para ir a este show. Quando ela foi embora, me deu tchau da rua. Foi o último adeus.
Na quinta-feira, a mãe das irmãs decidiu romper o silêncio. No quarto das filhas, na casa em que elas viviam com o irmão, no bairro de Heliópolis, Raquel Francisca de Oliveira desabafou:
- Minha dor não está de costas, está de frente. Quero mostrá-la ao mundo para que mãe nenhuma sinta o que estou sentindo. Devo isso às minhas filhas. Esta dor vai virar a minha luta por justiça - disse ela.
Mesmo com medo, Raquel Francisca decidiu mostrar o rosto. Neste momento, como disse ela, a dor da família vence o receio de represálias:
- O que tinham para fazer de maldade já fizeram com as minhas meninas.
Irmão presta homenagem
O desabafo da mãe foi feito na cama em que as irmãs dormiam juntas. No colo de Raquel, um retrato de quando Jéssica se formou no ensino médio. Na foto em que a jovem aparece sorridente com o diploma, Daniel de Oliveira, irmão das vítimas, escreveu a seguinte mensagem: “Jéssica e Ariane. Te amo eternamente”.
- Escrevi isso logo depois de os corpos terem sido reconhecidos. Ficamos todos em casa. Quando meu pai e minha mãe foram embora, decidi fazer esta homenagem. Foi o modo que encontrei para mantê-las vivas na minha lembrança. Sempre assim, sorrindo - contou o jovem.
As jovens morreram no dia do aniversário do irmão.
Fonte: Extra/ R7
0 Comentários