Artistas da Baixada levam suas peças para o Rio. Motivo, falta de estrutura para suas apresentações na região.

Os atores Fábio, Wellington, Felipe e Cesário pedem investimento para o teatro na Baixada Foto: Cléber Júnior / Agência O Globo

BAIXADA FLUMINENSE - A arte na Baixada ainda está na coxia. Não por falta de profissionais capacitados para exercê-la. Falta interesse. Com poucos teatros e quase nenhuma estrutura para se apresentarem, artistas dos palcos levam suas peças e espetáculos para o município do Rio.

Durante um mês, os atores Fábio Mateus, Felipe Villela e Johnny Rocha, do grupo teatral Velhos Amigos, ficaram em temporada com a peça “Precisa-se de Velhos Palhaços” no Teatro Café Pequeno, no Leblon, Zona Sul do Rio. Há um ano, ficaram um mês em cartaz no Teatro Gláucio Gill, em Copacabana.

Peça “Precisa-se de Velhos Palhaços”, com atores da Baixada, ficou
em cartaz um mês no Leblon Foto: Divulgação / Helio Melo
— Na Baixada, há sete teatros que não funcionam ou funcionam precariamente. A região é a segunda com mais profissionais com registro profissional do estado. Temos professores de teatro, produtores, dramaturgos, tudo aqui. Por que a iniciativa pública não fomenta e a privada não movimenta esse mercado. Seria altamente rentável — explicou o ator Fábio Mateus, integrante do grupo Velhos Amigos.

O ator Felipe Villela, que também é gestor de um curso de teatro para crianças e adolescentes, na Villelarte Produções, em Nova Iguaçu, conta que seus alunos quase não conseguem assistir a suas apresentações:

— Eles perguntam quando vão poder me ver. Aqui na Baixada, tem público para consumir esse mercado, profissionais capacitados.

O ator e dramaturgo Cesário Candhi na peça Meias Verdades
Foto: Divulgação / Márcio Leandro
Em Nova Iguaçu, o Teatro Sylvio Monteiro, único municipal, sofre com problemas estruturais, como a falta de lâmpadas, por exemplo. Atores que levem suas peças para o local precisam contratar, por conta própria, profissional de limpeza, brigadista, segurança e operador de som.

Em Duque de Caxias, nos teatros municipais Raul Cortez e Armando Melo não estão tendo apresentações. Morador da cidade, o ator e dramaturgo Cesário Candhi, fundador da Cia de Arte Popular, disse que o reconhecimento acaba acontecendo fora da região:

— Quatro textos da minha autoria vão ser encenados no Rio Grande do Norte, Espírito Santo, Baixada e no Rio. Grupos daqui vão a festivais no Rio e fora do estado e voltam com prêmios. Mas aqui não são reconhecidos.

Candhi estreia dia 17, no Sesi Caxias, a peça “Meias Verdades” e dia 19, no Galpão Gamboa, Centro do Rio, “A Farsa do Amor Acabado”.

O espetáculo “Ricardo, um Homem do Seu Tempo”, da Cia Atores da
Fábrica, será encenada no Teatro Serrador, Centro do Rio Foto: Divulgação
O ator Wellington Fagner, diretor da Companhia Atores da Fábrica, em Nova Iguaçu, e aluno do curso de Artes Cênicas, na Unirio, se ressente de ter que levar seu trabalho para fora da cidade onde mora.

— Você tem um trabalho de qualidade, dá aula, passa horas ensaiando um espetáculo e não tem onde fazer. Tudo acontece para que a gente desista mesmo da região — lamenta o ator, que se apresenta, dia 10, com a peça “Ricardo, homem de seu tempo”, no Teatro Serrador, no Centro do Rio, e dia 14, no Galpão Gamboa, na Mostra Rede Baixada Em Cena.

Prefeitura prometem melhorias
Em Nilópolis, o Teatro Municipal Jornalista Tim Lopes, único da cidade, foi demolido em 2015. O prefeito Farid Abrão disse que planeja devolver o equipamento à cidade:

Teatro Raul Cortez, em Duque de Caxias
Foto: Letícia Pontual / Agência O Globo / 30-07-2010
— Embora o momento seja difícil financeiramente para o município, estaremos fazendo todos os esforços para que, assim que for possível, Nilópolis tenha o seu teatro de volta.

Sobre a estrutura no Teatro Sylvio Monteiro, a Prefeitura de Nova Iguaçu disse que está em andamento um projeto de revitalização do teatro, que inclui a aquisição de novos equipamentos de som e iluminação até o mês de setembro. Ressaltou que ainda que o local possui equipes de segurança, guardas-noturnos, além de operadores de som que ficam disponíveis durante os eventos, e que capacitou uma nova equipe de brigadistas. Sobre a limpeza, disse que já está providenciando mais funcionários.

A Prefeitura de Caxias disse que no teatro Armando Melo funcionam duas turmas em curso de teatro, com mais de 80 alunos inscritos, e que há previsão de que em breve sejam oferecidas vagas para novas turmas de "Palhaçaria”. Sobre o teatro Raul Cortez, disse que o espaço não foi desativado e está funcionando com a promoção de eventos gratuitos e de formação de plateia, e festivais programados para os próximos meses.

Em Queimados, a dificuldade da cidade é por não poder cobrar bilheteria nas apresentações feitas no Teatro Municipal Professora Marlice Margarida Ferreira da Cunha (o Metodista) e no Cine Teatro Delcy de Souza.

— Há uma legislação que nos impede de cobrar ingressos, porque são equipamento construídos dentro de escola (no caso do Metodista), ou em parceria com o Governo Federal (o cine teatro). Isso dificulta o capital de giro das produções — explica o subsecretário de Cultura de Queimados , Leandro Santanna.

O Sesc RJ disse que, neste mês, Nova Iguaçu recebe a ocupação artística que comemora os 35 anos do Grupo Galpão. Já a unidade São João de Meriti abriga os espetáculos Contra o Vento – Um Musicaos e o infantil Trá-lá-lá, entre outros. A partir do dia 27 de setembro, o Sesc Nova Iguaçu também sedia o Festival de Teatro Encontrarte.
Fonte: Cintia Cruz/EXTRA
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